Estrada Real


A Estrada Real foi sendo construída nos muitos anos de idas e vindas, das Minas ao litoral, desde o século XVII, em busca das riquezas. Caminhar pela Estrada Real é reviver os passos e os caminhos percorridos pelos escravos, pelo ouro e pela história. Constituída, ainda, pelas vias de acesso, os pontos de parada, as cidades e vilas históricas que se formaram durante o passar dos homens e do tempo.

Inicialmente, o caminho ligava a antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto, ao porto de Paraty, mas pela necessidade de uma via de escoamento mais segura e mais rápida ao porto do Rio de Janeiro e, também por imposição da Coroa foi aberto um “caminho novo”. A rota de Paraty passou a ser o “caminho velho”, a partir do século XVIII. Com a descoberta das pedras preciosas na região do Serro, a estrada se estendeu até o Arraial do Tejuco (atual Diamantina), deixando Ouro Preto como o centro de convergência da Estrada Real.

Assim se formou o complexo da Estrada Real, ou seja, mais de 1600 km de patrimônio, cercado de montanhas, natureza, cultura e arte. Conhecer a Estrada Real é reviver o passado e a história de Minas e do Brasil.
Assim como as riquezas que foram extraídas da terra, venha explorar as belezas da região, a pé, a cavalo, de bicicleta ou de carro em um passeio inesquecível pela Estrada Real.

Roteiros Planilhados da Estrada Real

O Programa Roteiros Planilhados da Estrada Real oferece ao turista a possibilidade de percorrer a rota turística da ER de acordo com sua vontade e disponibilidade. Os mais de 1,6 mil quilômetros do roteiro podem ser conhecidos de bicicleta, a pé, a cavalo ou de carro. O desejo do viajante dá o tom do passeio.

As planilhas de navegação foram construídas com metodologia própria, desenvolvida pelo Instituto Estrada Real (IER), tendo como base padrões internacionais de cicloturismo. A inovação está em não restringir o passeio às bicicletas.

Exatamente pela liberdade que oferece ao turista, a planilha fornece subsídios para que o turista investigue e pesquise as informações necessárias para planejar sua própria viagem. As hospedagens, os meios de alimentação, os atrativos e produtos turísticos a serem visitados e consumidos podem ser procurados e agendados pelo próprio viajante, de acordo com sua necessidade.

Dicas:

* Confira se os equipamentos estão em boas condições de uso.
* Sempre leve um estojo de primeiros socorros.
* Lembre-se: sempre que tirar os pés do chão esteja de capacete e sempre que entrar na água esteja de colete.
* Aja de acordo com as regras ambientais em sua aventura: não faça fogo, não contamine o rio e ande sempre por trilhas demarcadas. Produza pouco lixo e traga-o de volta
* Seja responsável, conheça e respeite os seus limites. Hidrate-se, alimente-se e mantenha-se aquecido. A melhor pessoa para cuidar de você é você mesmo!
* Não corra e nem salte entre as pedras, você pode escorregar.
* Alongue-se antes de fazer qualquer exercício.
* Use sempre roupas e calçados confortáveis e adequados ás condições climáticas do local.
* Use roupas claras para ficar mais visível á noite
* Cuidado com o excesso de sol. Use sempre protetor solar e proteja a cabeça.
* Deve-se evitar passeios por trilhas escorregadias ou em dias de chuva (principalmente para cavalgada).
* Cuidado ao transpor córregos, principalmente em épocas de chuvas, pois o fluxo de águas pode aumentar em segundos.
* Deixe sempre alguém ciente de sua viagem, locais e horários visitados.
* Leve um telefone celular com bateria e tenha sempre em mão os telefones úteis dos municípios contemplados no roteiro.
* Fique atento aos marcos da Estrada Real. Eles são parte da sinalização e orientam os viajantes;
* Fique atento ao excesso de carrapatos.
* As propriedades citadas nas planilhas servem apenas como pontos de referência para a orientação do turista, não estando, necessariamente, abertas à visitação.
* Faça suas reservas de hospedagem com antecedência, evitando transtornos;
* Fique atento ao horário de funcionamento dos atrativos turísticos;
* Consulte os calendários de eventos, especialmente as manifestações culturais dos municípios a visitar. Aproveite ao máximo sua experiência e vivência na Estrada Real;
* Respeite a cultura, regras e costumes das comunidades locais assim como os seus moradores;
* Favor observar os trechos de trilha da Estrada Real, onde não é possível transitar com automóveis;
* Sinalize suas ações para outros veículos e dê preferência aos pedestres.
* Fique atento aos veículos. O fluxo não é intenso, porém é importante e prudente respeitar as leis de trânsito e estar atento ao que acontece a sua volta.
* Em estradas (asfaltadas ou não) pedale no acostamento e evite ao máximo as mais movimentadas
* Jamais pedale na contramão
* Carregue a bagagem na bicicleta, no caso do cicloturismo, evitando levar peso nas costas;
* Tenha sempre as ferramentas e peças necessárias para eventuais consertos de sua bicicleta. Alguns trechos são longos e não possuem ponto de apoio e/ou oficinas mecânicas especializadas;
* Use capacete SEMPRE, por mais simples que seja o passeio. (O uso de capacete é recomendável para os cavaleiros)
* Para percorrer a cavalo, se informe anteriormente sobre as distâncias dos trechos, os pontos de apoio para os cavalos e sobre a existência de hospedagens e baias que ofereçam serviço de pernoite, alimentação e banho aos animais;
* Para quem estiver de cavalo, deixe o animal se hidratar durante o percurso.
* Os arreios deverão sempre estar em perfeito estado de conservação.
* As barrigueiras e os estribos deverão ser reajustados com o cavaleiro já montado, garantido-se que estejam suficientemente firmes.

Dentro de uma visão historiográfica tradicional em História do Brasil, o conceito de Estrada Real pressupõe:

* natureza oficial;
* exclusividade de utilização;
* vínculo com a mineração.

Nesta perspectiva, a designação “Estrada Real” reflete o fato de que era esse o caminho oficial, único autorizado para a circulação de pessoas e mercadorias. A abertura ou utilização de outras vias constituía crime de lesa-majestade, encontrando-se aí a origem da expressão descaminho com o significado de contrabando.

Por outro lado, uma moderna visão admite:

* natureza tradicional e uma referência de bons caminhos;
* utilização geral, universal, pública;
* vínculo com outras atividades, como o comércio e a pecuária;
* existências anteriores e/ou posteriores à mineração;
* desvinculados das zonas mineradoras.

Em defesa desta última, considere-se que as Ordenações do Reino, também observadas na Colônia, estabeleciam como direitos reais ou regalias, entre outros, as vias públicas, os rios e os vieiros, e as minas de ouro e prata ou qualquer outro metal.

Os caminhos das Minas Gerais

Tropa na cidade de Pouso Alto, em Minas Gerais, no Brasil.

Entre os séculos XVII e XIX um conjunto de vias terrestres – muitas delas simples reapropriações de antigas trilhas indígenas (peabirus) – aproximou diferentes regiões do território brasileiro.

Caminho da Bahia

O chamado Caminho da Bahia ou Caminho dos Currais do Sertão e suas variantes, ligando a Capitania da Bahia às Minas.
Caminho do Rio de Janeiro

O chamado Caminho do Rio de Janeiro (depois chamado de Caminho Velho do Rio de Janeiro e atualmente de Estrada Real) e suas variantes, ligando a Capitania do Rio de Janeiro às Minas.

Caminho dos Diamantes

Posteriormente, com a descoberta de diamantes no Serro, entre 1725 e 1735, um novo troço foi aberto, o chamado Caminho dos Diamantes, aos quais se uniriam a picada de Goiás e a do Mato Grosso, quando da descoberta de minerais nestas últimas regiões.

Entre os gêneros transportados registram-se:

* gado bovino em pé, dos currais do sertão entre a Capitania das Minas e a da Bahia;
* produtos de luxo e escravos, dos portos de Salvador (Bahia) e do Rio de Janeiro;
* cavalgaduras da Capitania de Pernambuco.

Os caminhos de São Paulo

Na segunda metade do século XVII, diante da crise econômica da agromanufatura açucareira suscitada na Colônia a partir da expulsão dos Holandeses (1654), tornou-se imperioso identificar novas fontes de recursos. Desse modo, uma nova leva de expedições partiu da vila de São Paulo em direção ao interior. Essas expedições ficaram conhecidas como bandeiras e os seus empreendedores como bandeirantes. Os paulistas, mestiços de Portugueses com indígenas, tinham o conhecimento, não apenas dos milenares caminhos dos nativos (peabirus), como também das suas técnicas de sobrevivência nos sertões.

Bandeiras

O chamado Caminho dos Paulistas ou Caminho Geral do Sertão, ligando a Capitania de São Paulo às Minas.

Algumas dessas bandeiras, percorrendo a chamada trilha dos Guaianases, a partir do vale do rio Paraíba do Sul, através da passagem da Garganta do Embaú, na Serra da Mantiqueira, dirigiram-se para o sertão posteriormente denominado de Minas Gerais.

Com a descoberta de ouro de aluvião, ao final desse século, intensificou-se o trânsito de pessoas, animais e gêneros entre o litoral e a região, definindo-se diversas vias, as principais das quais são referidas por Antonil (Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. Lisboa, 1711):
Os caminhos do Rio de Janeiro

Os caminhos do Rio de Janeiro formavam uma rede de caminhos popularmente conhecida como Estrada Real. As suas principais variantes foram:
Caminho Velho

Caminho Velho, que ia de Paraty a Vila Rica (atual Ouro Preto). A partir da descoberta de ouro na região das Minas Gerais em fins do século XVII, este caminho transformou-se na rota preferida atingir-se a região das Minas Gerais, assim como para o escoamento de ouro, que era transportado por mar de Paraty para o Rio de Janeiro, de onde embarcava para Portugal.

Esta via estendia-se por mais de 1.200 quilômetros, percorridos em cerca de 95 dias de viagem.

Caminho Novo

Caminho Novo que ia do fundo da baía de Guanabara até encontrar o Caminho Velho em Ouro Branco, então arraial de Vila Rica, atual Ouro Preto. Foi aberto por Garcia Rodrigues Pais em 1707 como alternativa ao Caminho Velho para evitar a rota marítima entre Paraty e o Rio de Janeiro. Iniciava-se em portos do rio Iguaçu ou do rio Pilar, como Piedade do Iguaçu, hoje Iguaçu Velho em Nova Iguaçu, ou Pilar do Iguaçu, hoje um bairro de Duque de Caxias. Seguia dos portos fluviais até a vila de Xerém, passava pela atual Reserva Biológica do Tinguá, pela extinta freguesia, arraial e igreja de Santana das Palmeiras, subia a serra até Paty do Alferes e, dali, descia em direção a Paraíba do Sul onde cruzava o rio do mesmo nome. Daí seguia até Ouro Branco. Esse foi o caminho utilizado para escoamento do café do Vale do Paraíba, por tropas. Esse caminho foi calçado por Conrado Jacob Niemeyer, calçamento que persiste em excelente estado de conservação no interior da Reserva Biológica do Tinguá (nos municípios atuais de Nova Iguaçu e Miguel Pereira).

Caminho do Proença

Caminho do Proença, uma variante do Caminho Novo. que passava pela atual cidade de Petrópolis e por Santana de Cebolas (ou Sebollas), atual distrito de Inconfidência em Paraíba do Sul.

Estrada Geral que unia as freguesias de Santo Antônio de Jacutinga e Nossa Senhora Conceição de Mariapicú, conectando com a Estrada Real hoje na altura da atual cidade de Belford Roxo). Hoje ele se divide em duas vias distintas: a estrada Plínio Casado e a estrada Abílio Augusto de Távora, antiga Estrada do Madureira.

Controle e fiscalização

Devido ao crescente volume de riqueza explorado na região das Gerais, a Coroa Portuguesa procurou garantir o seu controle e fiscalização de maneira severa, instalando postos de inspeção (Registros) para arrecadar os diversos tributos sobre minerais (notadamente ouro e diamantes), mercadorias, escravos e animais (cavalos, muares, bovinos) em trânsito, instituindo mais tarde as chamadas Casas de Fundição e mantendo na região dois destacamentos de cavalaria, os chamados Dragões das Minas, além de um terceiro, no Rio de Janeiro.

A partir da abertura do Caminho Novo, tornado via oficial, foram aí concentrados os Registros, proibindo-se a utilização das demais vias, consideradas como “descaminhos” e rigorosamente punidos como tal.

A partir da segunda metade do século XVIII registrou-se o declínio da produção mineral no distrito das Minas, o que, durante o consulado pombalino, levou a uma intensificação da política fiscal e a uma insatisfação que conduziu à Inconfidência Mineira. Com a proclamação da Independência do Brasil, no início do século XIX, esses caminhos tornam-se livres, vindo a constituir, com a riqueza proporcionada pela lavoura do café, os principais eixos de urbanização da região Sudeste.
[editar] O projeto turístico “Estrada Real”
O Projeto Estrada Real foi formulado em 2001 pelo Instituto Estrada Real, sociedade civil, sem fins lucrativos, criada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) com a finalidade de valorizar o patrimônio histórico-cultural, estimular o turismo, a preservação e revitalização dos entornos das antigas Estradas Reais.

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