CRUZES E CRUZEIROS DE SÃO JOÃO DEL REI


rua o ouroPoderia, se quisesse, começar este artigo falando da cruz do calvário que Helena acreditou ter achado em inícios do século IV. Do verbo a em latim  invenire , vem invenção, sinônimo de achamento. No antigo calendário litúrgico, havia uma festa no dia 03 de maio que se chamava festa da Invenção da Santa Cruz, distinta de uma outra, que ainda persiste, no dia 14 de setembro, dita Exaltação da Santa Cruz. Poderia ainda falar da primeira cruz fincada na Bahia, em 1500, quando do achamento do Brasil, que se chamou primeiro Terra de Vera Cruz. Mas, para evitar delongas, incabíveis num artigo de jornal, passo à temática sugerida pelo título acima. Foi após as Cruzadas medievais que, por influência franciscana, a piedade cristã se voltou para os aspectos dolorosos da vida de Jesus, em sua humanidade. Relacionada a esses aspectos, desenvolveu-se uma sentimental devoção à sua Santa Cruz. A partir daí, a cruz se espalhou por todas as partes, podendo ser vista em todos os lugares: nos portais das residências, nas encruzilhadas dos caminhos, no pináculo das pontes e da igrejas, no cume dos montes e em frente às moradias rurais, nos cemitérios e nos locais onde ocorreram mortes…Por todo lado, criando um universo religioso de dilatadas conseqüências sociológicas, uma cruz sacralizando o espaço, encantando o mundo. Da Europa medieval, o costume de levantar cruzes em lugares especiais chegou ao Brasil, veio para Minas, implantou-se em São João del–Rei.
acd90bf008f90dc0c1e3cc3aba5ffbe6Muitas vezes, até meados do século XX, no encerramento daquelas famosas, saudosas e arrepiantes missões populares, que Dom Antônio Viçoso, em 1863, instituiu permanentes no bispado de Mariana, e que pregavam lazaristas, franciscanos, ou redentoristas, se costumavam levantar uma cruz ou cruzeiro. Assim, de fato, ocorreu em 1906 na minha Conceição da Barra, ao final de uma missão ali pregada pelos missionários do Coração de Maria. Normalmente se entende por cruz, a latina, composta de apenas duas peças de madeira, sem mais detalhes; jpa o cruzeiro é carregado com alguns ou todos os emblemas da paixão de Jesus, tais como: toalha formando um M, escada, esponja, lança, martelo, torquesa, coroa de espinho, tabuleta, túnica, cálice, dados, cravos, e até o galo.

7a992c640be3339e473f8b69b3a2595bSobrevivem ainda em São João del–Rei, quase todos desde o século XIX, embora já substituídos ou modificados, algumas cruzes e cruzeiros dos quais desejo citar os seguintes pontos mais conhecidos pela região, pode ser que haja outros pontos bem mais antigos e se você leitor souber de algum, poderá nos informar entrando em contato para que possamos estar incluindo e informado aos nossos seguidores e leitores.

telefone 1 ) Cruz do Barro: numa esquina da Rua Padre Faustino, onde faz parada o cortejo da Encomendação de Almas que vem do Quicumbi. Moradores próximos ainda conservam o belo costume de enfeitá-la para o dia 03 de maio.

2) Cruzeiro do Pau d’ Angá: Assentado sobre uma pedreira, num adro a que se sobe por uma escada de 12 degraus. Nele, já em 03 de maio de 1879, houve festa, com adoração da cruz e sermão do padre Joaquim Máximo Rocha Pinto. Igual celebração, com a praça iluminada, ocorreria também a 09 de junho de 1918, pregando o vigário Mons. Gustavo Ernesto Coelho.

Igreja do Senhor Bom Jesus do Monte e cruzeiro, 1998 - recorte3 ) Cruzeiro do Senhor do Monte: Estabelecido em frente à capela, veio substituir uma cruz anterior, que, segundo Luiz Antônio do Sacramento Miranda, foi transferida para o lado de lá do Ribeirão, fronteiriço ao Sítio da Alegria.  Ainda no mesmo Bairro, alguma vítima das trapalhadas do capeta, levantou uma cruz no alto que, por isso mesmo, ficou conhecido como Alto do Cruzeiro.

 

 

bf8fa3c3f7ecb2a492418f29b8982da14) Cruzeiro do Largo da Cruz: É de todos o mais curioso e muito antigo, pois que a ele se referiu o poeta contemporâneo Oranice Franco dizendo-o carunchado de saudades, o que já não é mais, pois, foi substituído por nova madeira. É também o mais repleto de emblemas e está afixado na parede de uma residência, tendo o galo sobre o telhado. Sua existência ali deu nome à primitiva Rua da Cruz e, desde 1918, ao atual Largo da Cruz.

Igreja de Nossa Senhora das Merces

5) Cruzeiro das Mercês: Ao qual já, em 1877 se referia Severiano de Resende. Ficava, então, abaixo da escadaria, próximo ao passinho do encontro, circundando de viçoso jardim e guarnecido de elegante gradil. Fora erguido, tempos antes, pelo padre francês, Miguel Sípolis, diretor do Caraça até 1867, quando se transferiu para o Rio de Janeiro. Daí se infere a antiguidade do mencionado cruzeiro, junto ao qual também se realizavam piedosas festas no dia da Invenção da Santa Cruz. Em 1913, a pedido da Câmara Municipal, a Fábrica da Matriz, à qual pertencia, o transferiu para o alto, onde permanece soberano até os dias atuais. Em ata da Câmara do dia 13 de outubro de 1869, faz-se menção a este cruzeiro, próximo a casa do Capitão Pedro Alves de Andrada.

sjdr_monr_176) Cruzeiro do Bonfim: Na Praça Guilherme Milward, junto ao qual, como informa “O Combate, na manhã do domingo 1º de março de 1903”, houve missa campal, e música da Banda do Asilo de São Francisco, e, à tarde, houve Te – Deum, tocando a esplêndida Orquestra Ribeiro Bastos, seguido de leilão de prendas. Junto à capela do Bonfim, em 1938, por ocasião do centenário da cidade, foi erguido um outro cruzeiro, de mau gosto estético, que ali vemos à noite iluminado eletricamente a partir de dentro.

img_31567) Cruzeiros erradicados o do Betume: A que Alude Lincoln de Sousa em Contam que e que ficava próximo à atual igreja de São José; o do Zé Chato, junto à ponte das Águas Férreas, retratado no Diário do Comércio, em abril de 1955, com a seguinte legenda: Antigo cruzeiro erguido no final da rua General Osório, vendo-se ao fundo o Oratório Festivo São Caetano. Consta que um desses cruzeiros foi transferido para junto da capela de Santa Rosa de lIma, nas Águas Gerais.

mirantesjdr28)Há ainda o belo Cruzeiro da Rua do Ouro: já no pé da Serra do Lenheiro, toda ela, aliás, cheia de cruzes, e o Cruzeiro da Gruta do Divino, sem o emblema da toalha, erguido por iniciativa de Ulisses Passarelli, lá onde existia o pontilhão da linha férrea, ramal do sertão.
Assim, numa cidade de tantas cruzes, só me resta, para terminar, saudá-las a todas com a primeira estrofe do Vexilla Regis: Do Rei avança o estandarte, Fulge o ministério da Cruz, que fere a Vida de morte, Morte que à Vida conduz!

NOTA:

bf8fa3c3f7ecb2a492418f29b8982da1O pitoresco nome de Pau d’Angá é muito antigo, pois já aparece no Astro de Minas, em 27 de novembro de 1827. Sebastião Cintra, em Nomenclatura de Ruas de São João del–Rei, escreveu que em suas Noites de Insônia, de 1892, Modesto de Paiva versificou a lenda A sombra do enforcado, em que diz: Jesus, que casa assombrada! – Coitado de quem for lá – Junto à subida chamada – Ladeira do Pau d’Angá. E continua Cintra: Ignoro se há correlação entre as assombrações supra citadas e a construção do Cruzeiro do Pau d’ Angá.

Atrativos Naturais:

401088_198182996950543_100002765329461_254274_1086705748_n Inúmeras cachoeiras e cursos d´águas: Fundão, Véu de Noiva, Urubu, Viúva, Triângulo, “Sete” metros, “Catorze”,Represa de Camargos – Rio Grande,
Serra do Lenheiro, Serra de São José e arredores
Distritos

Fonte: http://cicsjdr.com.br/?pid=495

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